terça-feira, 27 de dezembro de 2016

UM SONHO: Te quero (Mario Benedetti)

Um sonho...
Coisa rara ao despertar ter lembranças das andanças da minha´lma
Por ter adormecido em companhia de Erich Fromm (talvez)
Estive a passear de mãos dadas com um certo rapaz (de cabelos e barbas grisalhos)
Um belo rapaz merecedor de uma poesia!
Por tratar-se de individuo letrado
Não pode ser qualquer verso de rimas quebradas
O que me obriga parafrasear Mario Benedetti!
Ainda que não saibas Camarada
Te quero...
Tua boca que é tua (em sonho foi minha)
"Tua boca não se equivoca
Te quero porque tua boca
Sabe gritar rebeldia"!


Tuas mãos são minha carícia
Meus acordes cotidianos
Te quero porque tuas mãos
Trabalham pela justiça
Se te quero é porque tu és
Meu amor, meu cúmplice e tudo
E na rua lado a lado
Somos muito mais que dois
Teus olhos são meu conjuro
Contra a má jornada
Te quero por teu olhar
Que olha e semeia futuro
Tua boca que é tua e minha
Tua boca não se equivoca
Te quero porque tua boca
Sabe gritar rebeldia
Se te quero é porque tu és
Meu amor, meu cúmplice e tudo
E na rua lado a lado
Somos muito mais que dois
E por teu rosto sincero
E teu passo vagabundo
E teu pranto pelo mundo
Porque és povo te quero
E porque o amor não é auréola
Nem cândida moral
E porque somos casal
Que sabe que não está só
Te quero em meu paraíso
E dizer que em meu país
As pessoas vivem felizes
Embora não tenham permissão
Se te quero é porque tu és
Meu amor, meu cúmplice e tudo
E na rua lado a lado
Somos muito mais que dois.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Carpe Diem – o Poema completo de Horacio

Porque hoje mais uma vez despertei
O céu está aberto, Azul Anil
Clima nem quente, nem frio
Em casa todos dormem ainda
Eu, como na maioria dos dias
Passo preguiçosamente o café
Aqueço um pão que sobrou de ontem
E cá fico a contemplar e bendizer a vida!

Colha o dia, confia o mínimo no amanhã.
Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses darão a mim ou a você,
Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia não brinque.
É melhor apenas lidar com o que cruza o seu caminho.
Se muitos invernos Júpiter te dará ou se este é o último, que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar.
Tirreno: seja sábio, beba seu vinho e para o curto prazo reescale suas esperanças.
Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento está fugindo de nós.
Colha o dia, confia o mínimo no amanhã.
Podemos sempre ser melhores. Basta pensarmos melhor.

Eu: Cor de Rosa Choque"

Hoje acordei meio que assim... Rosa Choque!!!



Bom dia!!! Hoje acordei "tipo Cor de Rosa Choque"!
"Nas duas faces de Eva
A bela e a fera
Um certo sorriso
De quem nada quer...
Sexo frágil
Não foge à luta
E nem só de cama
Vive a mulher...
Por isso não provoque
É Cor de Rosa Choque
Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Não provoque!
É Cor de Rosa Choque
Não provoque!
É Cor de Rosa Choque
Por isso não provoque
É Cor de Rosa Choque...
Mulher é bicho esquisito
Todo o mês sangra
Um sexto sentido
Maior que a razão
Gata borralheira
Você é princesa
Dondoca é uma espécie
Em extinção...
Por isso não provoque
É Cor de Rosa Choque
Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Não provoque!
É Cor de Rosa Choque
Não provoque!
É Cor de Rosa Choque
Por isso não provoque
É Cor de Rosa Choque
Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Não provoque!
É Cor de Rosa Choque
Não provoque!
É Cor de Rosa Choque
Por isso não provoque
É Cor de Rosa Choque..."

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Poesia: Boa!

Poesia!

Poesia boa nem sempre tem que ser rimada
Precisa olhar o mundo nos olhos
Extrair a essência da alma da gente
Da gente que escreve
Da gente descrita
Da gente que lê
Poesia tem que ser amor
Incondicional amor!

Ágape por todas as gentes
Pelas nações sem fronteiras que Lennon Imaginou
(Nos também podemos imaginar)
África, Ásia, Europa, Antártida, Oceania e a América
Gentes de um único mundo vivendo em paz!

Philia por aqueles que nos deram a vida
Gratidão pelo Sêmen do Pai (João)
Saudades do Útero da Mãe (Aurora)
Os sete irmãos que me deram!
Aparecida, Jacira, João, Roseli, Luiz, Tereza e Oscar!
Por aqueles que Eu dou a vida!
Meus filhos Guilherme e Natália Sofia!

Eros por aquele primeiro menino
Pelo moço que veio mais tarde
Pelo Homem de pele morena
Pelo Senhor já de cabelos grisalhos
Por você que hoje furta meu sono
Fazendo-me sonhar acordada!

Esta é uma boa Poesia! (A mim reflete)




domingo, 4 de dezembro de 2016

Tempos de Reler Bertolt Brecht


Em tempos como estes que vivemos
Quando a verdade é relativizada
A Democracia esmagada
O oprimido se alia ao opressor
Só nos resta parafrasear o Imortal Brecht 
"Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso."
RESISTIR, LUTAR, REVOLUCIONAR!


"Nada é impossível de mudar
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo
E examinai, sobretudo, o que parece habitual
Suplicamos expressamente:
Não aceiteis o que é de hábito como coisa natural
Pois em tempo de desordem sangrenta
De confusão organizada
De arbitrariedade consciente
De humanidade desumanizada
Nada deve parecer natural
Nada deve parecer impossível mudar...
https://www.letras.mus.br/ozome/nada-e-impossivel-de-mudar/

Até Breve Ferreira Gullar!

Uma parte segue para poetizar em outro plano... Outra parte se eterniza entre nós!


"... A poesia é, na verdade, uma
fala ao revés da fala,
como um silêncio que o poeta exuma
do pó, a voz que jaz embaixo
do falar e no falar se cala."


Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira foi um escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo. Wikipédia
Nascimento10 de setembro de 1930, São Luís, Maranhão
Falecimento4 de dezembro de 2016
NacionalidadeBrasileiro

sábado, 3 de dezembro de 2016

Vontade de poetizar: Anjo!

De repente, não mais que de repente me vem aquela vontade...
VONTADE DE POETIZAR
Ela chega bem no meio da tarde com uma chuvinha fina
O respingar na janela parecia repetir o seu nome
Não o de batismo
Já que meu afeto é secreto, quase platônico
Te chamo apenas de Anjo
Assoviou seguindo o ritmo da chuva
Te chamo pra perto
Busco o seu olhar
“Pra que tanta pressa de chegar?”
Esquece o tempo
Fique em Silêncio
Deixa a Roupa Nova Cantar!
Aquela canção...
“Oh! Oh! Oh! Yeah!
Anjo! Anjo! Anjo!
Oh! Oh! Anjo!!!!”

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Amor: Poesia de Rimas incompletas

Eu só queria falar de poesia
De versos que falem de amor
Como nas canções que Tim Maia Cantou
Tanta coisa pra falar...
Mas você bem que me avisou...
Não era pra levar a Serio...
O Azul da cor do mar...
Mas eu gostava tanto de você...
Seu canto de sereia me fez mergulhar...
Afundei, naufraguei neste mar...
Mar de emoções
Mar de Ilusões
Encantada me deixei aprisionar
Cativa perdi a doçura e a graça do olhar
Te dei motivos pra ir embora.
E você foi...

Ficou o amor...
O amor que é mesmo Fogo
Quando bem amado, desatina o coração
Quando Rejeitado queima e não consome
É chama infinita que não se apaga
Resiste ao vento da tempestade
Como vagalume parece desfalecer quando clareia o dia
Mas quando vem a noite fria se faz estrela

Assim é o meu amor (Que você rejeitou)
Amor que é chama que continua queimando
Aumenta cada vez que sopro tentando apagar
Dilacera minha carne quando tento abafar
... ... ...
Me fogem as palavras
Não sei mais rimar
Desamor deveria ser sempre hiato
Mas insiste em vir sempre mal acompanhado
Saudades e ciúmes dele nunca se separam
Com as saudades tenho convivido (até que bem)
Mas os ciúmes esta difícil suportar.

Essa Tal Felicidade! Eterno Tim Maia

Aquele momento em que o sorriso fica preso nas entranhas da'lma da gente!
A poesia silencia...
Não sei se ainda é saudades...
Talvez seja efêmera Nostalgia...
Exaustão pelo árduo porfiar...
Rumo ao Arco Íris...
Esperança de encontrar
Essa Tal Felicidade!



"Já rodei todo esse mundo procurando encontrar
Um amor, um bem profundo que eu pudesse realizar
Os meus sonhos de criança, como todo mundo faz
De formar uma família como era a dos meus pais
Mas o tempo foi passando e a coisa mudou
Solidão foi se chegando e se acostumou
Essa tal felicidade, hei de encontrar
Mesmo se eu tiver que aguardar, se eu tiver que esperar
De uma coisa eu não desisto, sou fiel, não abro mão
De ter filhos, ter amigos, companheira e irmãos
Se essa vida é bonita, ela é feita pra sonhar
Mais aumento o meu desejo de afinal te encontrar
Mas o que eu não me acostumo é com a solidão
Um pedaço do seu beijo ou seu coração
Isso já me fortalece, me faz delirar
Mesmo se eu tiver que escolher, se eu tiver que esperar"

sábado, 26 de novembro de 2016

O Tempo e Eu!

O Tempo...
Há 46 anos e alguns meses
O tempo passa todos os dias por mim
As vezes me sorri e segue sem nada dizer
Há dias, no entanto, que chega de mala e cuia
Se hospeda no melhor quarto da casa
Fia seu rosário de travessuras
Com ele, rio, choro, medito
Ele segue lampeiro
Eu fico diante do espelho
Maquio as marcas que o travesso sempre deixa
Umas rugas (poucas eu acho)
Uns quilinhos a mais (no ver de apreciadores de magrelas)
Muitos fios de cabelos brancos (a mim agradam)
Olho o tempo nos olhos
Agradeço a companhia no porfiar da vida
Afago-me a alma
Me fazendo um acrostico de rimas quebradas!

LUCIA...

Lindeza que se funde no tempo
União de corpo e alma, sou muitas em mim
Caminhar errante num porfiar constante
Indo e vindo, folha que se deixa soltar
Atiro-me ao vento, me encanta o livre bailar!



sábado, 12 de novembro de 2016

AMOR: Estou de Ressaca!



Quando o tema é amor
Não há mesmo que se questionar poetas
Eu mulher de quarenta pós balzaquiana!
Corroboro a tese de que todo amor é eterno
Enquanto dura!
Todos os meus amores (platônicos ou não) durarão pra sempre
O primeiro da adolescência com sotaque Italiano
O Índio "Peri" da flor da mocidade
O "Deus do Ebano" vindo das terras do Haiti
O Menino artista que fazia cover do Rauzito
O Camarada com o qual dividi " flores e as pedras da estrada"
O Amigo que partilhava a cerveja gelada e o corpo suado
O que hoje inspira meus versos de rimas quebradas
Como bem disse Saramago: "Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada. E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia."

Saudades de você!

Sobre acordar de madrugada para sonhar acordada!
Habito de quem cultiva amores platônicos
Desses que não se realizam no toque físico
Pura contemplação do desejo...
Para as aristotélicas, como eu
Amor é pra ser amado
Tocado,Abraçado, Beijado, Salivado, Suado...
Depois de realizado Eternizado
Infinita repetição (quando o amor é igualmente amado)
Saudades (quando não há reciprocidade).

"Tô com saudade de você
Na varanda em noite quente
E o arrepio frio
Que dá na gente..."

https://www.letras.mus.br/vanessa-rangel/6640/

Poemas mentais

Porque é madrugada...
E não só por ser madrugada...
Ainda não consegui dormir...
Saudades do encanto...
Daquele instante eternizado...
Das palavras não ditas...
Das reticências...
Do seu olhar antes do Ponto final.



Eu no tempo...


Os dias que se passaram...
Os dias vão se passando
O tempo não para
Vou indo e vindo
Por vezes me deixando por ele levar
Ha momentos, no entanto, em que lhe faço brecar
Puxo lhe as rédeas
Com firmeza e brandura, sou eu quem lhe dita o ritmo!

Neste instante de tempo
Ouso deixar-me assim...
A divagar!
Brincando com as palavras
Ora juntando
Ora separando
Deixando-as soltas, sem rima ou métrica.

Vai cantando minha alma
Fruído Divino
Eu no tempo
Inerte a ovacionar minha própria arte!

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

20 de Outubro dia da Poetisa: Parafraseando os imortais!


De hoje 20 de outubro diz-se dia do Poeta!
Eu filósofa logo quis saber o motivo
Feminista questionei o gênero
Poetisa conclui que pouco importa
Que seja hoje, ou tivesse sido ontem, ainda se fosse amanhã
Datas comemorativas são só pretextos
Para se presentear
Dou-me então um sopro de Adalgisa Neri
Histórias trazidas pelo Vento
Que fazem lembrar a Infância à Cassimiro de Abreu
Meus Oito anos, aquelas tardes fagueiras
Ouvindo o Sábia que canta do alto da palmeira
Vem a Nostalgia de Gonçalves de Abreu
Um sentimento profundo de liberdade
Uma Disposição de cantar e amar Cecilia Meireles
Amor que é fogo que arde sem que Camões possa ver
Desvairado amor enlouqueceu Ismália
Levando ao céu Alphonsus de Guimaraens
Enquanto na terra  Clarice Lispector passa
Leve como uma brisa ou forte como uma ventania
Agitando o mar por onde Pessoa navegava
Fazendo valer a pena a vida de Cora Coralina
Enquanto muitos continuam mudos
Maiakóvski alerta os que param no caminho
Acreditem em Bertold de Brecht
Nada deve parecer impossível de mudar
Apesar de Temer atravancar o caminho
Eles passarão, Nós os do contra.
Como Mario Quintana, Passarinho!

Um feliz dia 20 de Outubro dia da Poetisa!

HISTÓRIAS DO VENTO: Adalgisa Neri
O vento veio correndo
Assoviando, gritando
Que vira a lua nascendo,
Que vira a estrela brilhando,
Que o beija-flor vira voando,
Que vira o rio cantando
E o fruto amarelando.
Que vira o orvalho caindo
Sobre a relva e sobre a flor,
Que vira a abelha zumbindo
Dentro das pétalas em cor.
Que vira a semente no chão,
Nas águas, o peixe mudo,
O pastor tangendo as ovelhas
Cantando por nada e por tudo.
O vento veio correndo,
Assoviando, cantando
Que vira o mais belo do mundo:
Uma criança nascendo,
Uma criança brincando,
Uma criança sorrindo, vivendo,
Uma criança cantando.

MEUS OITO ANOS: Casimiro de Abreu
 Oh! Que saudades que eu tenho
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Do despontar da existência!
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor!
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! Meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar!
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!


CANÇÃO DO EXÍLIO: Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

LIBERDADE: Cecilia Meireles
Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se têm levantado estátuas e monumentos, por ela se tem até morrido com alegria e felicidade.
Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam "Liberdade, Igualdade e Fraternidade! "; nossos avós cantaram: "Ou ficar a Pátria livre/ ou morrer pelo Brasil!"; nossos pais pediam: "Liberdade! Liberdade!/ abre as asas sobre nós", e nós recordamos todos os dias que "o sol da liberdade em raios fúlgidos/ brilhou no céu da Pátria..." em certo instante.
Somos, pois, criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.
Ser livre como diria o famoso conselheiro... é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo de partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho... Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autômato e de teleguiado é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Suponho que seja isso.)
Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.
Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sonho das crianças deseja ir. (As vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso...)
Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!...) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!
 ...
Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.
E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!
 ...
São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.
Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos, que falam de asas, de raios fúlgidos linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos
construtores de Babel...

AMOR É FOGO:  Luís Vaz de Camões
Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

ISMÁLIA: Alphonsus de Guimaraens
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

SOU COMO VOCÊ ME VÊ: Clarice Lispector
Sou como você me vê
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras, sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calma e perdôo logo.
Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre... Tenho felicidade o bastante para ser doce, dificuldades para ser forte, tristeza para ser humana e esperança suficiente para ser feliz. Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre... Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser...a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.

TUDO VALE A PENA: Fernando Pessoa
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

A VIDA TEM DUAS FACES: Cora Coralina
Positiva e negativa
O passado foi duro
Mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
Dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
Lutas e pedras
Como lições de vida
E delas me sirvo
Aprendi a viver.

No caminho com Maiakóvski
"[...]
Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

NADA É IMPOSSÍVEL DE MUDAR: Bertolt Brecht

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

POEMINHO DO CONTRA: Mario Quintana

Atravancando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!