quarta-feira, 12 de abril de 2017

Cá com meus botões!

Pensando cá com meus botões...
É o mundo que anda virado?
Ou sou eu que acordei às avessas?
Me sentido peixe fora d'água
Depois de ter me encantado com a tal Modernidade
Me espanto diante da Pós-Modernidade!
Mundo mercantilizado
Pessoas coisificadas
Sentimentos virtualizados
Verdades relativizadas
Um Asno sentado num trono Imperialista
Guiando a perigosa Águia de cabeça branca
E cá nas terras Tupiniquins outro Asno
Guiando uma porção de Patos por uma Ponte para o passado.
Retrocesso, dependência, escravidão...
Meus botões...
Outra hora concluímos essa reflexão
Tenho que ir...

terça-feira, 11 de abril de 2017

DESABAFO: Calei-me quando deveria ter...


               Aquele momento em que você “pega o ônibus, sempre lotado, fora de hora, quase vazio, como de costume, diz bom dia ao motorista que responde com um aceno de cabeça e um meio sorriso, demora-se na catraca tentando encontrar o cartão em meio aos  livros e trabalhos levados para casa. Enfim retribui o sorriso do cobrador, velho conhecido.
               ___ Bom dia professora!
               ___ Bom dia!
               ___ Sempre na correria... este ano tenho te visto pouco... gostaria de ver mais
               ___ Horários desencontrados, estou sempre indo e vindo
               ___ Ano passado no verão eu via mais... gostaria de VER MAIS!
               A ênfase nas palavras VER MAIS, acompanhadas do olhar preso aos meus seios (Hoje Estou de camiseta, as vezes uso blusinhas com degotes recatados) me fez encarar o “velho conhecido” que mantinha a catraca travada, e corria os olhos do meu rosto para o colo, com um sorriso que me fez corar, não de vergonha, de indignação e uma ponta de raiva.
               ___ Ano passado você trabalhava em 3 escolas... lembro quando pegava o ônibus a tarde... naquele calorzão...  A GENTE VIA MAIS!
               ___ A gente via mais!?
               ___ Queria ser seu aluno... pra ser corrigido... de perto... e te VER MAIS
               ___ Eu já passei o cartão pode destravar a catraca?
               ___ Não esta com calor professora com essa camiseta tão fechada... com todo respeito o que é bonito é pra ser mostrado!
               Ímpeto de mandar ele enfiar o “respeito” onde vocês que me leem imaginaram. Mas ele sorria por certo esperando que eu me sentisse lisonjeada, homem de meia idade, moreno, cabelos grisalhos, bonito eu diria... não fosse aquele sorriso no olhar que me violentava. Ele destravou a Catraca e fez um gesto para que eu passasse levou os dedos aos lábios como que a secar a baba...  Emudeci, dei-lhe as costas, sentei-me no ultimo banco onde meu corpo estivesse a salvo daquele olhar de cobiça.
                
              

               

terça-feira, 4 de abril de 2017

Vontade de poesia

Hoje acordei com aquela vontade de Poesia
Da desordem organizada do meu lar
Do Barulho dos meus filhos brincando
Do sorriso do meu amado
Olhei-me no espelho e inquietei-me
Uma espinha a alarga-me ainda mais o Nariz
Minha herança Bantu
A enfeitar meu rosto arredondado
Tão parecido com o da minha vó Lídia
Mulher guerreira, nascida nas terras batidas de Pernambuco
Neta de escravo fugido
Ainda menina casou-se com um branquelo
Meu avô Antonio
Descendente de uns Holandeses que andaram por aquelas bandas
Fizeram muito amor e filhos durante a vida
16 sobreviveram, cada qual teve pelo menos meia duzia de filhos
Saudade deles que já se foram
Do meu Pai João, minha mãe Aurora
Do irmão Oscar que botou a mochila nas costas
Da primarada espalhada pelo mundo afora
Doce nostalgia que transforma lembranças em poesia!