terça-feira, 30 de maio de 2017

Reflexão sobre o processo eleitoral da Apeoesp

No dia 25 de maio último tivemos a realização das eleições da Apeoesp para eleger os Conselhos Regionais e a Direção Estadual da Entidade. Foram apresentadas 3 chapas para a disputa do pleito Estadual sendo Chapa 1 composta pela gestão atual encabeçada pela Senhora Maria Izabel Noronha a Bebel da Artsind/PT a Chapa 2 pelo Senhor Antônio Carlos  pelos Educadores em Luta/PCO e Chapa 3 Com o senhor Moacyr America da Oposição Unificada (25 agrupamentos da esquerda socialista)
          Os números dessa eleição nos oferecem o primeiro e mais significante dado para análise do papel hoje desempenhando pela Apeoesp, e o peso da sua representação na  Rede Estadual de Educação do Estado de São Paulo que conta com aproximadamente 230 mil professores dos quais em torno de 190 mil seus filiados sendo que desses apenas 59 mil votantes na eleição de 2017. Resultando na seguinte configuração.

Presidenta Bebel: Reeleita para o 5% mandato
Diretoria Estadual Colegiada (DEC): 120 membros.
Presidente: Bebel (da chapa com mais votos).
Chapa 1: 70 membros (51,66%)
Chapa 3: 49 membros (36,65%)
Diretoria Executiva: 35 membros.
Presidente: Bebel (da chapa com mais votos).
Chapa 1: 20 membros (51,66%)
Chapa 3: 14 membros (36,65%)

A Chapa 2 com 8,63% não obteve o percentual mínimo de 10% para compor a diretoria.
Constata-se assim que a reeleição da Bebel e o desejo de “continuação” da atual política implementada pela Direção majoritária da Apeoesp não contempla a maioria esmagadora da categoria que optou por não participar do processo eleitoral, o que nos leva a algumas hipóteses sobre as causas dessa omissão. Seria a exemplo do que aconteceu nas eleições de 2016 que elegeu prefeitos e vereadores quando também se constatou um índice altíssimo de omissão, entendidos por muitos como, despolitização política ou uma forma de protesto? Em ambos os casos se faz necessário uma seria reflexão crítica sobre esses dados, o que nos obriga a retomar a missão da entidade quando de sua fundação há 72 anos:

“A APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) foi fundada no dia 13 de janeiro de 1945, em São Carlos. De acordo com seu Estatuto, a APEOESP é uma entidade sem fins lucrativos, sem discriminação de raça, credo religioso, gênero ou convicção política ou ideológica. É uma entidade sindical integrada por docentes e especialistas em educação das redes públicas do Estado de São Paulo...”

Uma análise ainda que superficial da composição das Chapas para disputa do pleito e posterior atuação de cada agrupamento, bem como suas práticas no dia a dia da vida sindical se constata de cara a violação do princípio de isonomia e independência política Ideológica preconizado na Missão da Entidade, visto a absurda desigualdade dos recursos empregados na disputa eleitoral e a utilização dos aparatos partidários, que determinaram os números mencionados acima.

                    Nós Professoras e professores de Filosofia da Rede Pública do Estado de São Paulo, afiliados ou não à Apeoesp, temos nessa associação nosso principal interlocutor com os governos e com a sociedade no tocante a defesa dos nossos direitos. Cabendo ressaltar a falta de um posicionamento mais combativo da Entidade quando da tramitação da Medida Provisória que resultou na lei 13.415, da Reforma do Ensino Médio. Precisamos nos posicionar assumindo uma posição mais propositiva, para que a Apeoesp se incorpore a Luta contra a implementação no Estado de São Paulo, juntamente com a Aproffesp e demais entidades de representação das Ciências Humanas. 

Lúcia Peixoto, Professora de Filosofia, militante Sindical e do Psol e Diretora de Assuntos Sindicais da Aproffesp

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